Se existe um conceito decisivo para compreender a Modernidade, esse conceito é o de liberdade. Situado no coração do pensamento humanista e das grandes transformações políticas, religiosas e culturais das centúrias modernas, O tema da liberdade encontra em Martinho Lutero um dos seus principais catalisadores.
Esta obra coletiva propõe uma leitura crítica e plural da herança luterana, interrogando o modo como a Reforma do século XVI contribuiu para a formação de algumas das liberdades fundamentais do mundo moderno: a liberdade religiosa, a liberdade de consciência, a liberdade de expressão, ou ainda a autonomia do exame crítico.
A partir do célebre tratado da liberdade cristã e do princípio do livre exame das Escrituras, os autores analisam as ambiguidades, tensões e paradoxos de uma liberdade que, embora teologicamente enquadrada pela graça divina, abriu caminho aprofundas transformações religiosas, sociais e políticas. Recuando à controvérsia entre Lutero e Erasmo de Roterdão, passando pelas influências calvinistas no jansenismo político português do século XVIII, até às leituras modernas de Max Weber sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo,
O volume traça um itinerário de longa duração, da idade Moderna à contemporaneidade. Ao fazê-lo, ilumina as complexas relações entre fé, razão, poder e liberdade, mostrando como a reforma se tornou um dos fundamentos intelectuais da civilização Europeia Moderna.