A Arquitetura é a invenção formal, mais exclusiva e reveladora de intenções, contextos e circunstâncias, que a cada tempo a sociedade quer revelar na afirmação mais perene: a cidade. Por ela, o humano social é civilizado e cidadão. A Arquitetura expressou sempre a ideia de sociedade e formalizou todas as instituições, nos seus diversos graus e qualidades, evidenciando o grau de progresso e de ambição. Mas para o humano social triunfar sobre o humano natural, a Arquitetura tem de ser antinatural, contranatura, porque na natureza não existe ângulo reto; a retidão do homem ético, de Aristóteles, Espinosa e Montesquieu reflete-se na verticalidade da Arquitetura, cuja vontade quer alcançar o Cosmos.
É desde há 5000 anos, e será para um futuro do humano cosmológico, que no macrocosmos irá fundar cidades, para organização em sociedade. e por mais que a presente revelação intelectual, política e cultural seja consolidada na existência virtual, e possivelmente no metaverso, a consciência do humano ético permanece enquanto corpo físico exigente de forma e espaço. A beleza da Arquitetura reside na identidade da sua capacidade de ser única, exclusiva e calorosa.
Arquitetura e sociedade é um binómio uno e indivisível, que se sustenta em metodologias; desde os tradistas clássicos e humanistas aos teóricos contemporâneos, a metodologia de investigação formalizou códigos e sistematização válidos. A Arquitetura vive em atmosferas e nelas se revela em forma e substância.