A habitação nasce da distância à natureza, ganhando outro útero. Habita-se porque se quer. O sedentarismo necessário à civilização, exigiu primeiro a habitação depois a instituição. E ambas conhecem formas precisas e úteis, a que a Arquitectura tão bem responde.
O habitar, que exige pensamento e construção, que Heidegger soube questionar, exige outras questões, que se afectam à memória individual e familiar, ao lastro acumulado das vidas, ao pó do sedentarismo, às vivências light das roulottes e das tendas, às vidas (im)pessoais dos hotéis, às revistas de decoração.
Habitar é desejar ter história num lugar. A habitação legitima-nos enquanto indivíduos de famílias e é o veículo que legitima o presente e pressupõe o futuro. A virtualização do presente, desvirtua a necessidade física dos bens materiais que recheiam as habitações, mas não retira a capacidade íntegra da protecção para além da agressão da natureza e a necessidade elementar da manutenção da intimidade. Não houve ainda evolução que retira a capacidade protectora de um quarto enquanto se dorme, ou a unidade envolvente na evolução da geração seguinte.