Ricardo é uma criança excessivamente reservada. A verbalização das suas emoções é retraída e ele sente-se pouco capaz. Os indícios de autismo ligeiro e de alexitimia são propostos como possíveis motivos.
Aos doze anos, sofre com as consequências de uma infeção viral. Quando volta à escola depois da infeção, assiste a um atropelamento mortal. Mais tarde, no décimo segundo ano, conhece uma mulher: a sua colega Madalena. A amiga germina nele duas dádivas: a paixão pelo ensino universitário e o autoconhecimento, que lhe permite lidar com as dificuldades mais eficazmente. A cidade de Coimbra batiza o namoro entre ambos. Ricardo identifica a disciplina de matemática como Arte, mas, por insegurança, segue o curso de gestão.
Na universidade, conhece Isabel e Elizabete. Estabelece, com ambas, uma relação de cumplicidade e de proximidade. Com Isabel, estabelece um vínculo muito forte e uma ponte muito capaz para uma conexão emocional profunda, que o faz conseguir falar, pela primeira vez, da morte de Madalena. Contudo, as dificuldades de verbalizar as emoções tornam a comunicação pouca percetível e as amigas distanciam-se de forma progressiva. Após o término do curso em gestão, Ricardo pode finalmente estudar Matemática.