«Como é estranhamente bela e simples uma caminhada / o passado passeia sem o saber / a propagação mútua de afinidades essenciais» (SC) em Inventário de Frascos | Sombras Calhas, o poeta é um romântico e um pintor. «Assim vai, corre, procura. Que procura ele? Com toda a certeza, este homem, tal como o representei, este solitário dotado de uma imaginação activa, sempre viajando pelo grande deserto de homens, possui um objectivo mais elevado do que o de um puro flâneur, um objectivo mais geral, que não o do prazer fugitivo da circunstância." Mas a modernidade d’O pintor da vida moderna de Baudelaire já foi encontrada há muito. Sendo assim que procura ele? Talvez nada, a não ser o mundo desdobrando-se em imagens que devora e regurgita num mesmo gesto, como um devorador de fogo.
Ana Natividade