Um intelectual é um indivíduo que se sente qualificado e impelido a formular e promover doutrinas que visam
o desenvolvimento da Humanidade, muitas vezes em oposição às normas vigentes. O programa desta obra
assenta na resposta à seguinte formulação: terão os intelectuais sido coerentes, nas suas vidas, com as ideias
que defendiam? Paul Johnson constata que não e põe a nu a contradição de muitas das figuras intelectuais
cujas obras influenciaram o mundo e marcaram a sua geração e as gerações seguintes. Assim, Rousseau, que
propunha a criação de um estado paternalista, que se ocupasse das necessidades básicas dos cidadãos e da sua
educação desde tenra idade, abandonou os seus cinco filhos em orfanatos. Marx não sabia o que era pagar um
salário, pois nunca o fez, apesar de ser essa a sua obrigação perante a sua fiel criada.
O olhar penetrante de Paul Johnson e a sua escrita brilhante não poupam figuras como Shelley, Ibsen, Tolstoi,
Hemingway, Bertrand Russell, Brecht, Sartre, Edmund Wilson, Lillian Hellmann, Norman Mailer e muitos
outros intelectuais, sempre que a sua prática contraria os princípios que defendem. Porque, como Paul
Johnson interroga, deverá o indivíduo ser menos avaliado do que as ideias que apresenta?
Um fascinante olhar sobre a natureza humana e as suas contradições.