A ironia do destino faz com que um casal de velejadores portugueses observe que uma outra embarcação, com características muito específicas, seja vista em duas ocasiões, mas ostentando bandeiras de diferentes nacionalidades. Na primeira ocasião, a embarcação, com pavilhão francês, estava ancorada junto ao território português que é o pequeno arquipélago das Ilhas Selvagens e tinha como tripulantes dois homens. Passadas algumas horas, a mesmíssima embarcação dava entrada no porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, ostentando a bandeira espanhola, com mais tripulantes e, pasme-se, todos militares.
Este romance é baseado em factos verdadeiros, que são suportados por numerosa documentação, ainda que tenham sido muito ficcionados quanto a alguns aspetos. Revela, no entanto, as inegáveis jogadas político-militares, sem datas nem horas, que ocorreram numa guerra suja e silenciosa relacionada com a posse de territórios que têm estado (e ainda estão) sob domínio luso, resultado de uma política geoestratégica levada a cabo por uma nação forte sobre outra de menor dimensão, que não dispõe dos mesmos recursos e poderio militar.