A experiência da morte apresenta-se de duas formas distintas, ou passa ao largo como mera
ressonância, ou faz uma tangente arrancando-nos um pedaço.
Cada um se mira no seu próprio espelho, onde invariavelmente se reflecte imortal. Nomear a
morte é, por isso mesmo, uma diligência que nos pressiona a uma intimidade incómoda.
Paradoxalmente, a morte é inseparável da vida, representando este binómio o cerne do tabu.
É, pois, nas palavras que logramos dissecar o preconceito, "precisamos urgentemente de dar um nome às coisas absurdas" ainda que seja para adornar o luto.