Para além dos seus imediatos efeitos trágicos,
reflectidos no elevado número de mortes e destruição
que arrasaram dois terços da cidade de Lisboa, o
terramoto de 1755 esteve também na origem da
modernização urbanística e arquitectónica da capital
portuguesa, oferecendo-se ainda como importante
catalizador para a renovação das controvérsias
filosóficas e científicas que então atravessavam a
Europa das Luzes. De Voltaire a Rousseau, passando
pelas propostas de Kant, a cultura europeia da segunda
metade do século XVIII foi profundamente influenciada
pelo sismo que abalou o País. Também neste contexto,
o conhecimento científico experimentou novos espaços
de intervenção, contribuindo para a melhor
compreensão dos fenómenos naturais e mitigando
leituras mais tradicionais, de natureza essencialmente
religiosa.
Todas estas temáticas se compõem de uma enorme
actualidade e reúnem questões tão diversas como o
planeamento urbanístico, a gestão do risco e a
sismologia que hoje integram o debate em torno da
qualidade de vida nas nossas cidades.