Este livro trata das Comunidades Portuguesas, como a mais forte manifestação de Portugal presente em todo o mundo. A diáspora portuguesa permanece uma constante da nossa identidade e continua a marcar o imaginário coletivo, constituindo um inestimável acervo de cidadania que é nosso dever respeitar, preservar e valorizar. Em 2018, com o recenseamento automático dos portugueses residentes no estrangeiro, verificou-se um aumento significativo do número de eleitores. Entre 2019 e 2025, o número total de recenseados aumentou, devido, tão só, ao aumento constante de eleitores residentes no estrangeiro.
Em eleições legislativas, as taxas de abstenção dos portugueses residentes no estrangeiro mantiveram-se muito elevadas e para além do aceitável. Para não se falar das eleições Presidenciais, onde os números da abstenção são avassaladores, pela obrigatoriedade da votação presencial. É desproporcional o número de deputados eleitos pelos círculos dos portugueses residentes no estrangeiro e os deputados eleitos, comparativamente com os círculos eleitorais em território nacional (4 em 230). Elegendo só 10% dos deputados, comparativamente a círculos eleitorais do território nacional com igual número de eleitores.
Se pretendemos combater a abstenção, levando a democracia até todos e trazendo cada um ao processo democrático, é exigível aos decisores políticos que estejam a par do seu tempo — e isso só o voto eletrónico à distância o permitirá. Não devia haver, nem parecer que haja, portugueses de primeira com votos especiais e portugueses de segunda com votos de favor — e isso só um aumento da representação parlamentar dos portugueses residentes no estrangeiro o garantirá.