Guia Portugal - 4º Volume (T. 2)

Entre Douro e Minho II (4ª edição)

de Sant'Anna Dionísio 

Bertrand.pt - Guia Portugal - 4º Volume (T. 2)
Editor: Fundação Calouste Gulbenkian
Edição: abril de 1996
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A província do Minho (pela última reforma regional circunscrita aos distritos de Braga e Viana) é constituída por uma complexa simbiose de montes e vales, extremamente pitorescos e variados.

No interior, o relevo é vigoroso, não desmerecendo por vezes a majestade e grandeza do de Trás-os-Montes e da vizinha Galiza. Junto do mar, as ondulações da terra, arborizada e granítica, são relativamente moderadas, acompanhando de perto os principais cursos de água, que dão escoamento a um sem-número de arroios e regatos.

O alto grau de humidade e a relativa fertilidade de solo fazem desta província, sobretudo nas linhas de água mais próximas do litoral, uma verdadeira colmeia humana. Por toda a parte a terra é esforçadamente trabalhada. Apesar da emigração intensa, que o sangra sem descanso, o povo minhoto não cessa de arrotear novos bocados de bravio e de fabricar novos cortelhos e quintalórios, logo cingidos por zelosos muros, em regra de pedregulhos toscos, mas por vezes aparelhados e possantes como panos de cerca afonsina. Em nenhuma outra província se faz notar tanto a existência do muro e a preocupação do muro.

Ao longo do mar, sucedem-se as praias, entremeadas de penedias baixas e de alguns pequenos portos amnenses, outrora acolhedores para os veleiros de longo curso, hoje muito assoreados e quase cingidos à navegação costeira.

No coração da província, a par da intensa e tradicional atividade agrícola, começa a pulsar a maquinaria das grandes usinas. […] Mas a fonte de riqueza fundamental do Minho é ainda a da lavoura; é a cultura dos cereais (sobretudo do milho), a criação do gado barrosão e a cultura do vinho. Nos anos de produção abundante - nas chamadas anesas - o Minho produz cerca de setecentas mil pipas de vinho verde.

As videiras bordam (e cobrem muitas vezes) os caminhos, como verdadeiros túneis de folhagem. São as chamadas latadas ou ramadas. À roda dos campos há mais usualmente uveiras de enforcado, à maneira romana. As vides grimpam pelas árvores, caindo em festões e formando por vezes de árvore para árvore graciosas guirlandas de verdura. O espetáculo é tão atraente no verão como no inverno, quando as árvores se recortam com nitidez nos campos macios e limpos.

(Da Introdução de Sant’Anna Dionísio)

Guia Portugal - 4º Volume (T. 2)
Entre Douro e Minho II (4ª edição)
ISBN:
9789723106350
Ano de edição:
04-1996
Editor:
Fundação Calouste Gulbenkian
Idioma:
Português
Dimensões:
113 x 171 x 36 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
704
Tipo de Produto:
Livro
EAN:
9789723106350

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