Raymond Aron é um dos grandes pensadores do século XX, sobretudo conhecido pela sua crítica e combate empenhado aos totalitarismos, mas é também um escritor que possui uma extensa e relevante obra, variada nas áreas que aborda, mas contracorrente da tendência para a especialização e fragmentação do saber que caracteriza a cultura contemporânea. Os primeiros trabalhos académicos de Raymond Aron versam sobre a filosofia da história. A partir do estudo de quatro autores da escola alemã do sudoeste e desafiado a formular um pensamento próprio, redige a sua tese de doutoramento sobre o conhecimento histórico, que está na origem da Introduction à la philosophie de la histoire. Henri Marrou publica quase imediatamente uma longa recessão crítica, que será incorporada posteriormente na sua própria obra sobre a metodologia da história. Segundo Marrou, o terreno estava preparado: a história é um "conceito fatigado", tinha-se prometido demais. Muitos anos depois, no ínicio de de uma das obras recentes mais originais sobre metodologia da história, Paul Veyne continua a advertir: " O leitor avisado encontrará em muitos lugares deste livro, referências ímplicitas e, sem dúvida também, reminiscências involuntárias da Introduction de la philosophie de la histoire de Raymond Aron, que continua a ser o livro fundamental na matária". (Comment on écrit l'histoire)