Sob a aparência de uma obra lírica, descomprometida, espessa e levada ao limite, Duarte Marques faz deste seu Golpe de Fogo uma complexa e maravilhosa obra de combate, traduzindo a afirmação extrema do indivíduo na sua negação da redução ao sentido comum.
O autor revela-se um poeta do EU, que com a sensibilidade à flor da pele nos oferece uma escrita densa, tremendamente lúcida, de uma honestidade que desconserta e desarma, não se recusando à viagem pelo lado sombrio da condição humana, povoado de sombras e fantasmas, no qual se enlaçam incessantemente os temas recorrentes do vazio, do desencanto e da solidão, imortalizados pela sua fortíssima escrita.
Duarte Marques não teme as águas escurecidas, as metáforas dolorosas, com a insana coragem de quem se permite a profundos mergulhos em territórios onde os outros não ousam. E deambula por labirintos de emoções que de tão verdadeiras chegam a ser impossíveis ou contraditórias, tão fascinantes quanto perturbadoras.
Esta genuinidade e transparência são de uma grandeza desconcertante e inesperada e compõem uma obra única, de grande originalidade, reveladora de um ser humano demasiado humano, quase irreal.