Sete ensaios tratam de poesia; um, de música; outro, de pintura. "Poeta e artista: aquele é género, este é espécie", disse uma vez Goethe. Aceitemos, ao menos provisoriamente, essa qualificação, de modo que me baste, doravante, dizer "poeta" ou "poesia" para significar também artista e arte. Embora a maior parte desses textos me tenha sido encomendada, a verdade é que cada encomenda constituiu para mim uma excelente oportunidade de satisfazer o prévio desejo de escrevê-los. E desejava fazê-lo pelas mais diferentes razões: porque sentia que poderia dissipar determinadas confusões teóricas através da introdução de certas distinções conceituais; por entusiasmo pela obra deste ou daquele poeta; e principalmente pela necessidade de pôr em palavras (e pôr em palavras é sobretudo pôr em palavras escritas para serem publicadas) minhas ideias sobre o que é escrever poesia, sobre o que é a poesia.