O conjunto de estudos reunidos neste volume pretende contribuir para a discussão dos múltiplos efeitos do crescente uso do vernáculo em diversas línguas e áreas da cultura escrita, nomeadamente no da Filosofia, entre os finais da Idade Média e os primeiros tempos modernos. Compreensivelmente, o aparecimento no mesmo período e a consequente afirmação da imprensa enquanto instrumento de promoção e difusão de textos ou obras que até então circulavam apenas em cópias manuscritas - e, no campo filosófico, fundamentalmente em línguas clássicas - foram determinantes para a divulgação alargada de tratados, de discursos, de cartas, de obras literárias e de múltiplos escritos que, direta ou indiretamente, veiculavam ou se cruzavam com o pensamento filosófico e moral.
A diversidade de abordagens que estes estudos aqui trazem tem como pano de fundo a passagem da reflexão filosófica - tomada no mais amplo sentido que tinha na época, abrangendo todas as artes liberais e o estudo da natureza e do que transcende a natureza - das formas escolásticas e monásticas para outros contextos sócio-culturais, contribuindo para compreender as modalidades da sua incorporação, a formação e as utilizações do léxico filosófico em línguas vernáculas, a sua exploração em diversos campos disciplinares (teologia, espiritualidade, literatura, política, ética, estética) e o recurso a distintos géneros literários (tratados, diálogos, romances de cavalaria, epopeia).
No seu conjunto, apresentam facetas importantes e em alguns casos inovadoras dos usos vernáculos do pensamento filosófico, teológico e moral que se transmitia até então quase exclusivamente pelas línguas clássicas.