A publicação do livro Eu, Poeta e Tu, Cidade representa, efectivamente, alguma coisa mais do que simples colectânea de poemas escolhidos. Estão nas suas páginas algumas das principais imagens que me seduziram, durante mais de meio século. Não encontramos nelas a mais leve raiz campesina. Folclore, a havê-lo, é o do cais, o das vielas, o do jardim público, o das torres, o das muralhas, o das pontes, dos barcos e das arcadas e nunca o da estrada real, solheira e larga. Tanto os pinheiros como as praias que ali nos circundem podem, legitimamente, usar os apelidos dos arredores do Porto. Valem, pois, os versos presentes, por um certificado de intensa existência numa terra, por excelência citadina onde nasci e pude conhecer o estranho sortilégio do rio que passa, torturado e aflito, sulcando, sempre, o seu perfil nas almas.