O processo de envelhecimento comporta em si mesmo riscos de aumento da vulnerabilidade e doença, agravados em circunstâncias em que o contexto social é pobre e a rede social de apoio é fraca ou inexistente. As mudanças a nível das estruturas familiares e do papel da mulher na sociedade, a par com o aumento da esperança de vida, criaram um hiato na prestação de cuidados a um número crescente de pessoas. Novas formas de prestação de cuidados emergiram para suprir necessidades decorrentes do isolamento, da incapacidade ou da doença, que na sua maioria se enquadram numa tipologia que inclui lares, centros de dia e apoio domiciliário. Estas valências estão a ser pressionadas por listas de espera, mas também por exigências de qualidade que muitas não têm, na monotonia dos seus quotidianos, o que nos faz interrogar sobre a sua adequação atual e futura para utentes que serão progressivamente mais diferenciados e exigentes. A evolução deverá ser para serviços diferenciados e inovadores que possam responder a necessidades distintas à medida que se envelhece, desde idosos jovens apostados na prevenção a idosos muito velhos carentes de apoios permanentes nas suas rotinas. Finalmente, a mudança de uma atitude condescendente e passiva face ao envelhecimento é crucial, criando espaço para a participação social e o envelhecimento ativo e saudável.