Em Bizango de Bizangongo, reflete-se sobre o manifesto descontentamento das tropas deslocadas para os conflitos do Ultramar, revelando o cansaço da guerra e o desejo de regressar a casa. Através dos diálogos, construídos como um grande coro, questionam-se as mudanças promovidas pela Revolução, nomeadamente a forma como demoraram a chegar ao povo ou a produzir os efeitos desejados. A par da violência no cenário de guerra, referem-se as condições da partida de muitos dos soldados, estabelecendo-se, desse modo, as bases para o aproveitamento político durante o regime do Estado Novo e a ausência de alternativas para os jovens.
Peça e manifesto antibelicista, construída a partir da experiência do autor e de relatos de soldados, A Como Estão os Cravos Hoje? observa as condições de trabalho e de segurança dos operacionais no campo de combate, defendendo o fim da guerra no Ultramar. Os cravos do título servem de metáfora para o número de jovens convocados para o combate, mas também para uma reflexão — interpelando o público — sobre a defesa dos valores da Revolução e os riscos da sua rápida erosão, face à resignação promovida pelo regime deposto.