Haverá ainda algo que una António e Maria? Será possível quebrar a monotonia de um casamento em que dominam a apatia, a rotina, a inércia, o faz de conta? Talvez o regresso ao restaurante dos primeiros encontros seja o primeiro passo para reconquistar o que o tempo apagou: a capacidade de experimentar juntos alegrias ou tristezas, desejos ou iras. Ou talvez seja este o último jantar antes de uma separação que só medos inconfessáveis ou a simples preguiça foram adiando. Nos monólogos de António e Maria, que se alternam ao longo de "E se jantássemos hoje?", delineia-se um vigoroso retrato do progressivo acomodar-se a um quotidiano indesejado que ameaça tornar-se a única realidade possível para os protagonistas quando, náufragos na noite lisboeta, descobrem, com surpresa e resignação, que o tempo da juventude acabou.