Um livro feito de sequências de «imagens», apelando ao «discurso» das artes visuais, mas garantindo que «no princípio era o verbo» (leia-se o último poema). Que sirva esta referência aos começos para nos apercebermos de que esta é uma poesia não das for¬mas e da experiência mas das forças e intensidades. Por isso é que devemos levar a sério tudo o que se diz no prefácio, nomeadamente que cada um destes poemas resulta «da dispersão de um instante». O seu modelo, como podemos perceber, é o do «fiat lux», esse momento que está na base de todas as teorias do sublime. A poesia é, aqui, um exercício que rasga intempesti¬vamente os horizontes e busca efeitos de explosão.