A proposta deste estudo, circunscrito a duas décadas de produção de Chico Buarque, é estabelecer um paralelo entre a obra do compositor e a história recente do Brasil, nos anos marcados pela Ditadura Militar. Trata-se de uma proposta paradoxalmente ambiciosa e fácil. Fácil por causa do caráter circunstancial que marca a canção popular, fazendo-a assumir, muitas vezes, uma dimensão quase que jornalística, de reflexo direto dos acontecimentos.
Mas ela pode ser ambiciosa se quiser estudar a relação com o social não em termos simplistas de aproveitamento temático, mas em termos de homologia estrutural; não naquilo que o autor quis fazer, mas nas fraturas e impasses de consciência de sua classe social, às quais a obra dá corpo e revela. Sob este viés, Adélia Bezerra de Meneses analisa canções antológicas como Acorda Amor, Apesar de Você e Roda Viva, entre outras.