Contributo maior para o debate atual sobre a função do teatro, a sua dimensão cívica, o seu poder e a sua necessidade, Crítica do Teatro - Da utopia ao desencanto, de Jean-Pierre Sarrazac, propõe aquilo a que poderíamos chamar «arqueologia da ideia de um teatro crítico». Confrontando o desencanto atual frequentemente evocado no meio teatral com o carácter utópico do conceito de teatro público que emergiu no pós-guerra, Sarrazac circunscreve a ideia de um teatro crítico, procurando responder a algumas questões prementes: a prática de um teatro crítico poderá, hoje, conservar o seu valor transitivo de transformação ou, pelo contrário, estaremos na presença de uma ideia obsoleta e sem expressão nos palcos contemporâneos?
De Brecht a Heiner Müller, de Vilar a Vitez, de Barthes a Dort, passando por Althusser ou Badiou, o autor traz para a reflexão contemporânea alguns dos fundamentos - mas também algumas das contradições - essenciais daquilo a que talvez pudéssemos chamar um novo teatro crítico, ou seja, um teatro que se reinventa no permanente jogo dos possíveis.