«Eis aqui a regra da nossa vida: dizer o que sentimos; sentir o que dizemos, que a palavra esteja de acordo com os actos.»
Séneca
Nunca tivemos qualquer interesse pela vida política portuguesa, pelo menos até à restauração da democracia com o 25 de Abril de 1974. Hoje posso confessar, sem qualquer receio de ferir espíritos mais sensíveis, que recebi o movimento do 25 de Abril, com alguma surpresa, como algo que, de forma inopinada, interrompia um ciclo despreocupado da minha vida pública quase até essa data. Mas, lembrando a afirmação de Ortega e Gasset de que "o homem vale por si e pelas circunstâncias", as minhas foram-se alterando, mercê da idade e da minha evolução científica e cultural.
As crónicas publicadas neste livro enquadram-se, de certa maneira, no âmbito do meu pensamento, no que concerne à vida partidária e, ao mesmo tempo, no pensamento de Séneca.
São apreciação e crítica com sentido construtivo, para uma sociedade que se deseja epistemologicamente amadurecida, procurando encontrar um equilíbrio entre os desejos pessoais e as regras sociais.