Nas comédias de Vasconcelos, Eros brinca com o mundo. Eros, esse deus poderoso que ao sabor da sua fantasia pode desferir golpes cruéis, na Eufrosina é puro amor, na Aulegrafia é discórdia e, por fim, na Ulysippo é comércio. Sob a égide de Mercúrio, deus do Comércio, das mercâncias e traficâncias, Lisboa e as suas gentes actuam no grande palco do mundo que é a cidade quinhentista, fervilhante de acção, de esplendor e de miséria.
Jorge Ferreira de Vasconcelos oferece-nos, na totalidade das suas quase cinquenta personagens dramáticas, um magnífico pó humano em acção, que fala, gesticula e age. Uma galeria de figuras magníficas que em pleno palco faz justiça a este grande criador português, que com mestria notável nos apresenta a vida como uma grande farsa, dando-nos uma visão de conjunto sobre a monumental comédia humana que é a vida dos portugueses no século XVI.