A história dos amores de Zelótipo e Eufrosina, contrariados pela vontade do velho pai, teria dado em Camões uma elegia e em António Ferreira uma tragédia. Vasconcelos, seguindo a via da Comédia Nova, a comédia de costumes, oferece-nos um final feliz em que o amor e a juventude triunfam contra as razões de Dom Carlos, numa utopia optimista reflectida no espelho encantado das águas do Mondego.
Na Comedia Eufrosina confluem a linguagem culta e erudita dos humanistas e a linguagem popular. A primeira advém da educação cortesã do escritor, espelhando um elevado nível de erudição, patenteado a cada passo através das sentenças e máximas oferecidas pelos autores da antiguidade; a segunda é bebida no saber do povo, no refraneiro e nos provérbios.
A obra está intrinsecamente imbuída do espírito da expansão portuguesa, numa situação em que os portugueses, vivendo entre os esplendores da Lisboa do século XVI, atravessavam em pensamento os caminhos do mar para o Oriente.