Rio Cão é uma aldeia pequena e pobre, para lá do Marão. Umas poucas dezenas de casas de granito, com telhados, inclinados, janelas de madeira tosca e porta com postigos velhos, amontoadas á volta de um largo com cruzeiro, uma igreja e a residência do prior. Ao lado desta, a tasca do Zé D' Ádega, feita de um antigo armazém recuperado pela aldeia para local de convívio...e de copos.
Longe dali, está o cemitério, plantado no alto da colina. A estação que serve a aldeia fica a uns trinta minutos a pé. Os que emigram, raramente voltam, e quando o fazem, é para morrer. Há quem diga que os destinos dos de Rio de Cão passa pelas provas que o céu se recusou a fazer à humanidade, e que o inferno se esqueceu de pedir para aqueles que procuram "enxamear" de trevas.
Esta é a história de uma aldeia que vive entre o terror do passado e a esperança no futuro. Há ali segredos terríveis, daqueles que ninguém fala, segredos ligados a lendas de morte e do medo de um futuro que não vem. No entanto, até no canto mais perdido do mundo, a vida não se extingue, porque dos corpos ás almas, há um propósito para tudo, até para a morte.