«A importância e a influência religiosa e cultural do Mosteiro de Santa Maria de Arouca - como era designado no seu tempo de vida ativa enquanto mosteiro cisterciense - caminham a par da sua história ao longo dos séculos, história essa que, em certo sentido, não termina em 1886 com a morte da última monja e abadessa. Naturalmente, vários foram os ciclos da sua vida ao longo dos séculos, uma vida não isenta de flutuações e das circunstâncias que, em cada momento, a condicionaram. Mas a manutenção - até hoje sem ruína, ao contrário de vários outros da mesma Ordem - do edifício construído essencialmente no século XVIII, assim como a guarda de parte do seu acervo nos espaços para que foram adquiridos ou levados, dão-lhe um significado cultural e um valor material e simbólico ímpares no contexto do património monástico português (…) Mas, com todo o seu poder económico e alguma autonomia de que gozava, não escapou aos tempos difíceis que, a partir de meados do século XVIII e, sobretudo, depois de 1834, todos os outros mosteiros femininos (de Cister e de outras ordens) foram vivendo até ao seu ocaso.(…) É uma longa história, um longo tempo que marcou indelevelmente a cultura, a sociabilidade e as práticas religiosas da região.
Esta obra do Dr. Afonso Veiga - a quem agradeço o amável convite para a prefaciar - pretendeu lançar mais luzes sobre esses tempos, que fazem parte da história de Arouca, mas que também são os tempos deste país.»
Do Prefácio
Maria de Lurdes Correia Fernandes