Durante a minha comissão militar, raramente escrevi aerogramas. Eram muito pequenos muito básicos, serviam-me apenas para dar notícias breves de circunstância. Não tinham o encanto das muitas folhas, fininhas, de avião, metidas num sobrescrito que ficava gordo de papel e de sentimentos. Nem o encanto adicional de fechá-lo, pesá-lo, pôr-lhe os selos (um só nunca bastava) e ficar a olhá-lo, imaginando o percurso que iria fazer até ao destino. O destino era a Metrópole, os entes queridos, sobretudo a ente querida (para quem foram escritas "apenas" 206 cartas em dois anos e três meses).