«Nessa época não procurei resposta para a questão na experiência que estava a viver. Não descobri, como acabo de o fazer aqui, qual a base do nosso amor. Nem que o facto de estar obcecado, ao mesmo tempo dolorosa e deliciosamente, pela coincidência sempre prometida e sempre evanescente do gosto que temos dos nossos corpos — e quando digo corpos não estou a esquecer que a alma é o corpo, tanto em Merleau-Ponty como em Sartre — remete para experiências fundadoras que mergulham as suas raízes na infância: para a descoberta primeira, originária, das emoções que uma voz, um odor, uma cor de pele, uma maneira de se mover e de ser, que serão para sempre a norma ideal, podem fazer ressoar em mim. É isto: a paixão amorosa é uma maneira de entrar em consonância com o outro, corpo e alma, e com ele ou ela apenas. Estamos aquém ou para além da filosofia.»
A maioria das figuras provém de números avulsos das revistas Paris Match e Life en Español, e o texto foi dactilografado na minha velha Antares 20T Efficiency. Esta ligação física com o passado tornou-se importante para a série e uma parte significativa do prazer de a construir.»
Nota do autor