Pretendendo ser uma resposta ao ‘Mito Historiográfico’ do Prof. Rui Manuel Loureiro, que havia sido publicada num dos números da Revista de Cultura Internacional de 2003, acabou por vir a ser um esmagador monumento comprovativo da historicidade do estanciamento de Camões em Macau, com a revelação de dados inéditos que desde sempre desafiavam os especialistas: era a China do tempo de Camões mesmo Macau, sabendo-se a volatilidade permanente do estabelecimento luso na costa da China Meridional? em que anos esteve em Macau? com quem foi o nosso vate para Macau? se esteve em Macau, o que por lá escreveu? que amores ilícitos o atiraram para os confins do Império?
Tudo isso e muito mais é respondido pelo Autor, com propostas sugestivas e convincentes, bem escritas e bem argumentadas, que desafiam a cronologia tradicional da biografia camoniana do nosso Poeta, apoiado em testemunhos documentais que não têm sido notados.
Agora em edição revista e atualizada, sai com prefácio do eminente historiador Professor Doutor João Paulo Oliveira e Costa, que não tem dúvidas em afirmar que o Autor «arruma de vez a questão da passagem de Camões por Macau, a data da sua ocorrência (1562-1565), o cargo que desempenhou (provedor dos defuntos) e o naufrágio que sofreu durante a viagem de regresso à Índia», adiantando ainda:
«Todavia, Eduardo Ribeiro não se contentou com a ‘perna da mosca’ e foi à procura do retrato completo da mosca e do seu habitat. E assim chegámos a um retrato interessante de Macau e do Estado da Índia nos anos de 1550 a 1570, pudemos espreitar a China no estertor dos Ming, pudemos ver as viagens, os amores e as frustrações do poeta através da sua própria obra literária e, aspecto fundamental, percebemos as suas relações pessoais, identificando amigos e inimigos, o que nos proporciona uma visão humanizada do herói». E culmina assim: «Esteja ciente que está prestes a começar a desfrutar de uma lição magistral de História».