«O leitor tem nas mãos um livro surpreendente a vários níveis [...] O filho de um português em tempos arribado ao Brasil decide confrontar-se com a memória do pai, que, apesar da sua prolongada ausência física na família, esteve sempre presente na vida do autor, como este vem disso dar conta. Afinal, mesmo na ausência o pai despertou no filho uma vontade indomável de religação com essa terra-berço, por meio da escrita. Através dela, numa prosa imbricada de sugestivas referências pessoais, entremeadas de um continuado intertexto com a história e a cultura portuguesas, surge um documento humano e literário único no universo das letras luso-brasileiras. Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Ferreira de Castro e, mais recentemente, Leonor Xavier, cada qual a seu modo, foram tocados pelo Brasil e disso deram conta na sua obra. O reverso, porém, não é comparável. Em relação a Portugal, a distância e o distanciamento são marca generalizada dos escritores brasileiros [...] e tudo isso numa prosa híbrida, de meio-termo entre a destreza e inventividade brasileiras e o retoque de sabor clássico bebido nos mestres lusitanos.»
In prefácio de Onésimo Teotónio Almeida.