Tal como a poesia, o amor existe mesmo quando não o sentimos por perto. Flutua como um espírito universal, submerge, emerge, afasta-se, retorna. E, quando não o procuramos, até nesses momentos pode tocar-nos.
Esta é a ideia que marca As Trinta Parábolas do Amor Imperecível, volume de poemas de Fernando Cabrita.
O autor assinala que «a parábola é, à vez, uma figura geométrica e uma figura literária; e ainda um estilo oratório ligado à matriz religiosa hebraica e cristã». E explica-nos: «Literariamente é uma alegoria, uma narrativa de factos protagonizados por pessoas, por seres humanos, da qual se possa extrair uma conclusão ética ou moral. Ser a narrativa em prosa é o mais comum; mas no exercício poético e dentro da profunda liberdade deste exercício, nada obsta a que se eleja a parábola na forma poética; e aí se celebre o mais sublime facto que entre dois seres pode ocorrer, o fenómeno amoroso.
Do ponto de vista religioso, entende-se que a preferência hebraica de falar por parábolas, como aliás se diz que faria Jesus, é o modo de, por utilização desta figura literária, abordar e explicar temas complexos através de linguagem simples. Um dos objetivos destes trinta poemas é também esse; e de que coisa mais complexa se pode falar que não do amor?»