«A estrada é "longa/feita de urzes e pedras graníticas", acompanhada de odores peculiares que "crescem em silêncio", obrigando o olhar atento a mergulhar nos "calabouços da escuridão "e a sangrar "memórias". Esta depuração é morosa. na verdade, o vento, este vento invisível, incansável, e aparentemente inalcançável, nutre-se de "um abismo de palavras profundas", todas passíveis de decifração sonora, rítmica, métrica e imagética. E, para lhes conhecer o significado e o odor emanado da pele, é necessário rasgar as faces brancas e rosadas do "silêncio das palavras" escoltado por uma miríade de gritos da "alma/nas manhãs frias de Sol". Tudo uma questão de equilíbrio, de paciência, de sobrevivência, tudo uma questão de estruturação, de composição, onde o poeta galopa "pela noite", corre "planícies e montes", rasga as "páginas escritas em silêncio" para, a partir deste dinamismo de forças heterogéneas, atingir a liberdade "num canto de pássaro" e dar azo ao "Indefinível" de corpo vítreo e incandescente. [...]»