Escritores e poetas, políticos e filósofos, cientistas
e técnicos - muitos são os que continuam a
interrogar-se, no início de um novo milénio, acerca
da possibilidade ambiciosa de a humanidade dispor
da «boa cidade». Uma cidade modelo pode ainda
ser concretizada, desde que todos os
intervenientes, habitantes-moradores incluídos,
participem no processo de planeamento, execução
e avaliação da requalificação da cidade manifesta.
Nesse processo participativo todos poderão
expressar a cidade oculta que cada um transporta e
que funciona como referente crítico da realidade
urbana existente.
Ao longo de «As cidades na cidade» o autor analisa o
processo de participação e contribuição dos
cidadãos na resolução dos problemas urbanos
existentes, do mesmo modo que apresenta uma
proposta para a gestão preventiva dos processos de
degradação da qualidade de vida urbana, tomando
como referência o caso de Setúbal. Num país que
não tem por hábito valorizar as boas práticas que se
vão experimentando aqui e ali, este livro oferece-
nos
uma reconstituição daquilo que se fez - e
daquilo que se deveria ter feito - em Setúbal, para
evitar as nefastas consequências de um urbanismo
tardio, mesquinho e submetido exclusivamente a
interesses fundiários e imobiliários. Em Setúbal,
como em muitas outras cidades, os problemas
urbanos, pelo menos desde os finais do século XIX,
foram sempre gravíssimos. O que torna esta cidade
em concreto particularmente adequada a um «estudo
de caso» será talvez o facto de sobre ela se ter
abatido uma tremenda tempestade (crise económica
e social) que esventrou o seu aparelho produtivo.