Luz, sombra. Noite, dia. Ruído, silêncio. Paisagem urbana, ruralidade. Uma solidão lírica, plena de contactos, vasos comunicantes, diálogos com outras formas de arte. É esta exaltação tímida de contrastes, uma visita à permanente contradição humana, que transparece da antologia da Poesia de António Amaral Tavares. a partir de poemas dos sete livros do poeta, entre o simbólico e o concreto, entre o sóbrio e o maldito, do sofrimento à alegria, propõe-se uma reflexão deambulatória sobre a própria existência humana.
Poderia este fio de Ariadne, entre os sagrado e profano da escrita, ter sido urdido há um milénio, ou daqui a um milénio. A Poesia do autor conduz-nos à total, frágil, intemporalidade, reunindo ora matéria de deslumbre ora solilóquios que compõem aquilo a que podemos chamar Homem. Ou simplesmente tempo vivo.