Porque será que tão cedo se enraizou em mim o
sentimento de que, se só a viagem — viagem sem ideia
de regresso — nos abre as portas e pode alterar realmente
a nossa vida, existe um sortilégio mais oculto, semelhante
ao manejo de uma varinha mágica, ligado ao nosso
passeio preferido, à excursão sem aventura ou imprevisto
que em poucas horas nos conduz ao nosso ponto de
apoio, à cerca da casa familiar? A segurança inalterada do
regresso não está garantida a quem se aventura por entre
campos de forças que a Terra mantém, de um modo
singular para cada um de nós, sob tensão; mais do que no
caso do «beijo dos planetas», tão caro a Goethe, há
motivos para acreditar que esses campos de forças
iluminam confusamente a linha da nossa vida.