Podemos identificar a falta de profundidade em debates sobre o modelo social e económico como um défice de conhecimento histórico e lógico que o artigo de Víctor Martínez-Gil vem paliar. O seu percurso metódico pelas relações luso-catalãs permite aprofundar questões como a independência (relativamente a quê?) ou o federalismo (de que tipo?). Esse conhecimento é complementado pela perspectiva histórica e filológica desenvolvida por August Bover e pelo diálogo entre literatura e arte que o estudo de Joan Ramon Resina fomenta de forma convincente. Mas como é que a relação entre realidades linguísticas, literárias e culturais que se manifestam como diferenças podem constituir identidades nacionais? Se Miquel Gibert traça o caminho percorrido pelo teatro catalão num frutífero diálogo com a sua recepção, Esther Gimeno Ugalde segue a rota do cinema em catalão a partir das suas difíceis origens, pouco antes da ditadura franquista, até à actualidade complexa de uma expressão artística multimédia. E aí a Catalunha emerge como paradigma hipotético de uma nova babel.