A ação começa em 1918. Há uma mulher que não sabe que tem um destino especial, uma missão. E que para cumpri-la inteiramente terá de viajar para longe da terra onde nasceu. De uma aldeia das Beiras viajará até à capital. Viagem forçada por uma morte e, sobretudo, por um assédio. Chama-se Faustina, essa mulher. Julga-se estéril. Tem duas irmãs. Uma, fugiu muito cedo e escreverá cartas. A outra, em
casamento frustrado, viverá por viver (até um dia). Faustina, tendo enviuvado, consegue libertar-se dos seus medos ao avançar até Lisboa. Sentir-se-á fascinada pela Baixa e pelas águas do Rio Tejo, rio sobre o qual tanto lera nos livros da instrução primária, mas que nunca imaginara que possuísse assim águas tão belas de admirar, ali na Praça do Comércio, à distância de um esticar de mão.
Encontrará uma mulher de quem se tornará amiga inseparável: Catarina. Quando olha o edifício do Hospital de S. José, pela primeira vez, Faustina sente algo único dentro de si acabando por tornar-se enfermeira nesse mesmo hospital. Entretanto, descobrirá que se a amizade verdadeira existe, também existe o amor e o desejo. E, afinal, será mãe. Faustina compreenderá, por fim, que a vida de uma mulher nunca está trancada mesmo quando os primeiros sinais assim parecem indicar.