Os Artistas Unidos e as edições Cotovia lançam dentro de dias um volume com dois textos de José Maria Vieira Mendes, autor que revelaram em 1998 com Dois Homens. Neste 24º volume dos Livrinhos reunem-se duas peças, A Minha Mulher com estreia marcada para Setembro no TNDM e Onde Vamos Morar escrita para os Artistas Unidos e, neste momento, sem data nem local de apresentação. A Minha Mulher recebeu o Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva criado pelo Instituto Camões e a Fundação nacional de Arte do Brasil (Funarte). ( edição 2007). Um júri composto por João Carneiro (presidente), João Lourenço, Eugénia Vasques, pela parte portuguesa, e Reinaldo Maia, Fernando Peixoto, Marco António Rodrigues, pela parte brasileira, deliberou, por unanimidade, atribuir o Prémio a A Minha Mulher, de José Maria Vieira Mendes.
A MINHA MULHER
Um pai, uma mãe, o filho destes (Nuno), a sua mulher (Laura) e um amigo de família (Alexandre), todos numa casa de férias, num verão quente. Os dias repetem-se, pastosos, secos e amargos, num carrossel fechado, agoniante, de insultos e maus tratos e conflitos, ignorados ou escondidos por uma escuridão que os abafa. E apesar de a convivência se tornar cada vez mais intragável, de as acusações endurecerem, nenhuma mudança se descortina, nenhuma atitude que permita avistar um fim.
A Minha Mulher de José Maria Vieira Mendes partiu da vontade de pensar em teatro sobre o embate travado por duas gerações. E acabou numa reflexão sobre a memória, sobre a repetição e o amor, sobre a escrita para teatro também e sobre o escuro.
Esta peça começou a ser escrita depois da leitura de peça em um acto de Strindberg Brincar com o Fogo.
ONDE VAMOS MORAR
De novo pais e de novo filhos. Américo é o pai, doente e solitário. Vítor, o seu filho, casado com Gabriela que o deixa para partir em viagem. Patrícia, a irmã de Gabriela, vive na casa da infância, vazia agora que os pais morreram. Gustavo regressou depois de vinte anos fora do país e procura uma casa onde ficar e o pai que já há muito não via. Mas encontra apenas Vânia, a sua meia-irmã, que está ainda no princípio. E por último Mário, que trabalha como estafeta para uma florista incompetente que se engana sucessivamente na morada dos clientes.
São sete as personagens, deambulando pelas suas histórias e cruzando-se umas com as outras, numa teia irregular que todos une. Gente que entra e sai numa cidade onde muita coisa se esconde ou não se vê, onde as ruas ficam desertas à noite e por onde passa um comboio que não se sabe para onde vai.
Desencontros, partidas e abandonos. A morte, sempre. Uma peça sobre a morte, sim, o escuro, claro, mas também sobre a distância, o regresso, o esquecimento, a procura de uma morada, uma casa, só. E uma peça também sobre o fim do diálogo.
Para José Maria Vieira Mendes, a conclusão de um tempo e o arranque de outro.