Existe em Portugal uma já considerável produção historiográfica em torno da temática da assistência e da caridade, dos seus modelos organizativos e paradigmas mentais, das práticas assistenciais e de algumas entidades responsáveis pela sua concretização.
Os estudos e a investigação neste campo encontram-se particularmente desenvolvidos no que respeita aos períodos medieval e moderno. Porém, neste último caso, a produção científica tem-se concentrado, sobretudo, no século XVI (primeiras décadas) e no século XVIII. Para além destes aspetos temos de sinalizar a carência de estudos orgânico-funcionais de âmbito arquivístico, no quadro das Ciências da Informação e Documentação, que permitam delimitar e representar o contexto de produção dos documentos, relacionando-os com as funções de cujo cumprimento resultava a criação, utilização e acumulação de documentos por parte das instituições.
O presente estudo tem como objetivo geral efetuar uma caraterização institucional e orgânicofuncional das entidades que, na cidade de Lisboa, entre os primeiros anos de Quinhentos, até ao último quartel do século XVIII, tiveram como competência assegurar a função assistencial de acolhimento, sustento, encaminhamento e educação das crianças expostas: o Hospital Real de Todos-os-Santos, a Confraria da Misericórdia de Lisboa e a Mesa dos Enjeitados.