No presente livro são estudadas as relações entre maçons e comunistas, a partir de 1919, data do surgimento, em Portugal, da primeira organização defensora da Revolução Russa e 1936, um ano após a proibição da Maçonaria e a prisão da cúpula dirigente do PCP.
Considerámos duas épocas distintas: a primeira, entre 1919 e 1926, corresponde aos esforços para fundação de uma organização apoiante da Revolução Soviética, que culminou na fundação do PCP, até ao golpe militar de 28 de Maio de 1926; a segunda época, prolonga-se até 1936.
Ocorreram contactos, cumplicidades, coincidências e até duplas filiações, num universo matizado, onde convergiam republicanos radicais, libertários, simpatizantes da Rússia Soviética, comunistas e outros opositores à Ditadura, em interacção nas Lojas maçónicas.
Essas relações não são fáceis de determinar, aflorando nas memórias, nos depoimentos e também em livros de estudantes finalistas. Criaram-se laços pessoais, que subsistiram ao longo do tempo e facilitaram a participação longeva de maçons - ou antigos maçons - em estruturas oposicionistas, da década de trinta até 1974.