«Chamo-me Marco, sou rei da Cornualha e sou enganado pela minha mulher. Ela chama-se Isolda. E por detrás do silêncio dela ouço-a ordenar o saque da minha vida»
O rei Marco: a personagem esquecida do romance, fundador do amor no Ocidente, o marido enganado, rei da infelicidade que nada mais pode fazer do que assistir impotente à paixão sublime entre Isolda, sua mulher, e Tristão, seu sobrinho. Não mereceria ele, pela primeira vez, ter a palavra e falar sobre a sua tristeza, a sua raiva, o seu amor?
Um monólogo de fazer perder o fôlego, errância de um rei sozinho entre os cheiros do ar salgado e da madeira queimada, cavalgadas à beira das falésias de Tintagel, o cruzar das armas, loucura das palavras. Este monarca medieval é um homem de hoje.
Com um lirismo que toma de empréstimo toda a força da lenda, Clara Dupont-Monod relata um amor furioso e doce de um homem por Isolda, a infiel, com «corpo de vento, de galdéria, de rainha esquecida, de criança doente».