A história de Sinuhé, uma obra-prima da literatura egípcia, insere-se no género de textos característicos do Império Médio (c. 2055-1650 a.C.), um dos períodos mais emblemáticos da civilização egípcia. O texto exprime-se como uma narrativa, que se apresenta na forma de uma autobiografia funerária com recurso a outros tipos literários, como cartas, hinos ou orações e inscrições reais. Como a obra não nos chegou na versão completa, nem no manuscrito original, a versão moderna de Sinuhé foi produzida a partir de fontes manuscritas sobre diferentes tipos de suporte: sete papiros e vinte e cinco óstracos, todos escritos em hierático e datados do Império Médio e Novo (c. 1550-1069 a.C.).
A ação desta história, que apela à lealdade para com o rei, desenrola-se durante o reinado de Senuseret I (c. 1956-1911 a.C.), o segundo rei da XII dinastia (c. 1985-1773 a.C.), filho e sucessor de Amenemhat I, o fundador da dinastia, considerada a mais importante do Império Médio.