As canadas de Viriato conduzem-nos à nossa mais profunda ancestralidade e, por isso, inevitavelmente, às nossas raízes e à alma de um povo.
Estas terras serranas, em pleno Planalto Beirão, entre a Estrela e o Montemuro, acolheram povos que desde cedo se dedicaram à pastorícia, num desafio à sua imensa fertilidade.
Nesta dialética, Celeste Almeida coloca toda a ênfase e centralidade nas pessoas, nas suas histórias vivenciais e nos seus ritos e mitos, calcorreando os caminhos da memória dos pastores que receberam de herança um cajado que conduzia os rebanhos aos mais verdejantes pastos durante a época estival.
E, entre os quilómetros percorridos, lá havia espaço para paragens de curto descanso entre o paganismo e a sacralidade que existe numa pele curtida pelas agruras do clima e em rituais míticos a pedir a divina proteção aos pastores e ao gado, seu sustento.