Séculos de presença portuguesa em Angola levaram ao aparecimento de uma elite resultante dos contactos entre portugueses e africanos que, com a instalação do colonialismo a partir de finais do século XIX, foi cada vez mais subalternizada face ao crescente poder económico e político dos colonos europeus. A reacção à decadência levou então à eclosão de um discurso reivindicativo face ao poder colonial.
Se a vitalidade do protesto nativo até aos anos de 1920 se destacou jornalística e literariamente, tem-se, porém, considerado que uma face de "silêncio e de inactividade" marcou a geração de 1930.
Eugénia Rodrigues tenta nesta obra contribuir para resgatar do esquecimento essa geração cujos pontos de vista constituem parte integrante da história de Angola e que, mais do que ter optado pelo "silêncio", parece ter sido uma "geração silenciada". Para isso, a autora propõe um ângulo de observação diverso: o da visão dos colonizados sobre os seus colonizadores, tendo como fonte principal a revista Angola, órgão oficial da Liga Nacional Africana.