Andaram séculos de costas voltadas. E ambas são de construção humana. Por isso, nem o Livro, nem a Mensagem, nem mesmo Deus adregaram a reconciliação. A sinagoga, que gerou o Deus único e distribuiu as tábuas da lei, e a igreja que, um dia, sonhou conquistar o mundo. Tal sonho de poder acabaria por lançar os homens no abismo.
E, quando o trono e o altar se conluiaram, fizeram do leão de S. Domingos a besta mais feroz alguma vez deixada em liberdade na selva humana. Nem a moral nem a ética nem o divino foram capazes de acalmar a estultícia dos homens. Por isso, vimos prender, torturar, desenterrar, vilipendiar e, em vida, tornar cinza o corpo e a alma de uma parte significativa dos nossos melhores.
A miséria humana foi ao cúmulo de queimar efígies à míngua de poder lançar na pira o Homem. E, quando nem pessoa nem efígie se tornaram suficientes, foi a queimar um boneco, um espantalho, que mais não é do que o símbolo da figura em que o Homem se tornou.
O rebentamento de Judas, hoje tradição, é, ao que julgam ilustres eruditos, longínqua reminiscência. Porque os símbolos e as memórias resistem ao desmoronamento dos tempos…