O percurso histórico, que se apresenta, está baseado numa investigação realizada ao longo de anos, assente numa sólida motivação, pois conhecer o espaço físico e qual a filosofia subjacente ao contexto de cada época é o grande desafio da autora. Durante séculos, as escolas em Portugal tiveram condições físicas precárias, limitadas a edifícios religiosos ou a espaços improvisados. Registe-se a grande viragem ocorrida com as reformas do Marquês de Pombal, no século XVIII, as quais procuraram secularizar a educação e criaram uma rede de escolas públicas.
No século XIX, com a criação das primeiras escolas do ensino primário e liceus, começa a surgir uma preocupação com edifícios próprios para a educação. No final do século, aparecem as primeiras escolas construídas de raiz, com salas de aula organizadas e espaços diferenciados para alunos e professores. Durante o Estado Novo surge o Plano dos Centenários, que define um modelo-padrão de escola primária. O edifício escolar em Portugal reflete a evolução histórica do sistema educativo e das políticas públicas ao longo dos séculos.
Importa, neste contexto, anotar o pensamento de Johann Heinrich Pestalozzi: o mestre não pode ser uma pura ferramenta, distribuidor inanimado de uma matéria morta, semelhante a uma máquina, mas ele deve colocar-se no ponto de vista da criança e mover-se em seu sujeito de maneira a passar de uma verdade a outra, de uma descoberta a outra no mesmo ritmo da criança.