Vivemos numa convulsão coletiva, que me permito designar por A Era dos Imbecis. A palavra imbecil vem do latim imbecille, que significa sem bastão. Este termo é formado de im (sem) e bacillu (diminutivo de baculu). A palavra bactéria provém da palavra bakterion (pequena vara). Assim, podemos designar o imbecil como um fraco sem bastão, sem apoio. Uma verdadeira bactéria.
Os imbecis utilizam a palavra para comunicar com o mundo e esta é a sua primeira mentira. Distorcem a palavra, invertem-na, manipulam-na a favor dos próprios ou das doutrinas que professam. Viver na Era dos Imbecis, é sobreviver à narrativa, à mentira que contamina a palavra. É ser capaz de voltar a usar a linguagem como base para o pensamento e ter acesso a uma memória coletiva. As palavras diferenciam-nos dos restantes animais. É preciso silenciar o rumor.
Neste trabalho, interpreto dez forças negras do inconsciente. Dez Imbecis, que criaram um concerto de rumores, uma vibração rítmica a que toda a humanidade obedece e que continua a contaminar a Palavra, levando-nos a um estado de esquecimento total e a um deserto letárgico. Assistimos a uma sociedade, onde o fracasso das palavras começou, precisamente, no momento em que a palavra do indivíduo foi anulada pelo rumor destas máquinas trituradoras.
«Gente que fez do Mundo uma mentira, da primeira à última linha»