A evocação dos 500 anos do casamento da Infanta Isabel de Portugal com Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano Germânico, assinala um acontecimento de particular relevância na história política europeia do século XVI. Celebrado em Sevilha, a 11 de março de 1526 e, por procuração, em Almeirim, a 1 de novembro de 1525, este matrimónio simbolizou uma poderosa aliança política e dinástica, reforçando os laços diplomáticos, económicos e culturais entre os reinos ibéricos e os territórios que compunham o vasto Império de Carlos V.
O casamento da Infanta Isabel com Carlos V ocorreu num momento em que este já exercia plenamente a dignidade de imperador do Sacro Império Romano Germânico, título para o qual fora eleito em 1519 (embora só coroado em 1530), acumulando-o com os de Rei de Castela e de Aragão. Filha do rei D. Manuel I de Portugal e de D. Maria de Aragão (filha dos monarcas Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, mais conhecidos como os Reis Católicos), Isabel de Portugal (1503-1539) recebeu, segundo testemunham os cronistas quinhentistas, uma educação humanista e uma sólida preparação política, que viriam a revelar-se determinantes no exercício das suas funções enquanto imperatriz e regente.