Apesar de o próprio António Feliciano de Castilho ter apenas indicado a leitura de Der Geisterseher (1787-89), de Friedrich Schiller, como inspiradora para elaborar o seu poema narrativo A Noite do Castelo (escrito em 1830; publicado em 1836), existem indícios de que a célebre balada Lenore (1773) de Gottfried August Bürger tenha servido de receção produtiva decisiva, sem que se possa afirmar uma influência da tradução de Alexandre Herculano (1834).
Perante a impossibilidade de comprovar uma relação intertextual, o presente estudo empreende uma análise comparativa a dois níveis: com base nas semelhanças do enredo e das personagens, o próprio revenant [Wiedergänger] - objetivo ou suposto - e o papel das mulheres são analisados; em termos de estratégias discursivas, ganham destaque sobretudo as que têm o objetivo de provocar arrepio [Schauer].
Esta abordagem permite chegar a conclusões sobre a funcionalização do terror estetizado em dois contextos socio-históricos diferentes, no Sturm und Drang alemão e no Romantismo português sob o signo da Guerra Civil. A análise de possíveis transferências luso-alemãs do gothic mode épico-lírico contribui para uma revalorização de A Noite do Castelo como um dos raros exemplos de balada (extensa) gótica na literatura portuguesa.